segunda-feira, 21 de maio de 2007

Texto da Claudia Flores

Seus olhos se abririam na escuridão do quarto, mas já seria manhã. Que horas seriam aquilo? Cedo demais. Viraria seu corpo na cama fingindo não perceber o tempo. O relógio então soaria no escuro como uma sirene. Fogo. Levanta. O frio o encontraria nu entrando pela fresta de vidro quebrado. Faltava eu ali para beijar-lhe as pálpebras. Faltava eu para arrancar-lhe um sorriso antes do café.

O tempo se esgota. Hora de sair. Perderia-se no escuro da manhã entre objetos. Casacos. Maletas. Espelhos. Lençóis. Meus braços, mas não estão ali. A rua congelaria-lhe o rosto. Não voltaria. Qual casaco teria escolhido? Que cheiro teria? Que gosto de mulher seus beijos trariam? Quantas mulheres por ele morreriam? Que não eu?

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