sexta-feira, 4 de maio de 2007
Jogo da Veronica
Samanta, às vezes, pensava não conhecer verdadeiramente aquele cara, pelo qual ela se apaixonara. Era um homem muito bonito, 35 anos, bem sucedido e com olhos verdes tão transparentes quanto ele, assim ela pensava. Porém, certas vezes, ele a irritava, em função de sua postura diante da vida. Ele era racional demais. Ela tinha que reconhecer que aquele “ser” tinha um lado que a desagradava muito. Era preconceituoso ao extremo, um racista. E tinha um forte senso crítico. Samanta parou por um instante: não poderia ela ser tão crítica com o homem com o qual pretendia passar o resto de sua vida. Ele sempre vinha com um olhar apaziguador, dizendo que os problemas não significavam nada perto de nós mesmos. Como ele era romântico! Surpresas inusitadas, atitudes galanteadoras a faziam sentir-se cada dia mais amada. Apenas uma vez, talvez duas, ele lançara-lhe um olhar intimidador durante uma briga. Samanta assustou-se, mas depois resolveu deixar para lá. Ele era um pouco misterioso; ela desconhecia detalhes de sua vida que ele afirmava não serem relevantes para a relação deles, gostava de pensar que não era mesmo. Refletindo bem, como ele era contraditório: era cético em relação a tudo ao mesmo tempo em que era meio teológico, “pregava” que Deus era responsável pelo Bem e também um “Pai” que sabia punir seus filhos se assim fosse necessário. Não o compreendia bem, mas como era sedutor, com aqueles olhos verdes que a fitavam com ternura todas as vezes antes de beijá-la. Chega! Tinha que deixar de se martirizar com bobagens; ela o amava e isso era suficiente.
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