quinta-feira, 3 de maio de 2007

Jogo da Mauren

A diferença entre o centroavante Josias Negão e o resto de seu time era uma questão de cultura, como ele mesmo gostava de frisar. "Jogadores de futebol, só por que são pobres e negros, podem ser cultos sim senhor", aos brados dizia Negão aos repórteres, em resposta aos questionamentos sobre o lançamento de seu livro de memórias. Alguns torcedores consideraram uma extravagância de sua parte, pelos mesmos motivos contestados pelo jogador. Mas a maioria comprou o livro e mesmo alguns críticos consideraram seu estilo de muita personalidade. Alguns anos depois Negão viria a encontrar alguns exemplares em saldos da Feira do Livro, e os mesmos ainda ostentavam a peculiaridade de possuir o autógrafo do próprio. Seu olhar sobre o mercado editorial passou a ser de profunda insatisfação, não seria mais o mesmo a partir dali. O contraste em relação ao seu entusiasmo de outrora era evidente, pois Negão jurou nunca mais escrever uma linha. Tal decisão causara estranhamento entre os mais próximos, aos quais justificou enfático: "Pobre e nêgo tem mais é que se foder mesmo. Eu vou é jogar futebol que é o que eu faço de melhor". Mas nem isso ele fazia mais como antes.

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