quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Começar uma crônica

Vai abaixo o iniciozinho daquela crônica do Machado de Assis que li em aula, para quem quiser exercitar mais deste gênero tão interessante:

Há um meio certo de começar a crônica por uma trivialidade. É dizer: Que calor! Que desenfreado calor! Diz-se isto, agitando as pontas do lenço, bufando como um touro, ou simplesmente sacudindo a sobrecasaca. Resvala-se do calor aos fenômenos atmosféricos, fazem-se algumas conjeturas acerca do sol e da lua, outras sobre a febre amarela, manda-se um suspiro a Petrópolis, e La glace est rompue; está começada a crônica.

(fonte: As Cem Melhores Crônicas Brasileiras do Século, Joaquim Ferreira dos Santos (org), Editora Objetiva).

Para a próxima pedi que lessem o texto A 1002ª noite da Avenida Paulista, do Joel Silveira. Está no xerox, junto com outro trabalho do rapaz, 1943: Eram assim os grã-finos de São Paulo.

Peço que leiam e pontuem/destaquem/notem a ironia deste moço. Vamos começar a falar do grande Joel na aula que vem. Abaixo, uma fotinho dele.




terça-feira, 18 de setembro de 2007

Aula de 18/09

Hoje conversamos sobre crônica, suas peculiaridades e manifestações. No xerox, ficou um texto do Antônio Cândido (uma crítica a dois livros de crônica) no qual há algumas considerações sobre este gênero.

A idéia é que na próxima aula façamos um SARAU LITERÁRIO DE CRÕNICAS. Quem não quiser trazer uma crônica sua para ser lida, busque um texto de algum autor do gênero para apresentar aos colegas.

Abraço

terça-feira, 11 de setembro de 2007

Na aula de hoje

Na aula de hoje, fizemos o exercício S + 7 sobre um texto escrito por cada um tendo por tema um sonho.

O S+7 consiste na substituição de todos os substantivos do texto pelo sétimo substantivo que apareça no dicionário.

Evidentemente, formam-se novos textos, com combinações absurdas e engraçadas. O objetivo é tentar entender a língua e o trabalho narrativo como um processo de significação arbitrário de sentido. Trocando em não tão miúdos: assenhorar-se do poder de criar.

Cada um escolheu uma frase ou expressão mais significativa ou interessante que brotou de seu fragmento agora sem sentido.

Esta frase ou expressão será agora o título de seu novo trabalho, com tema livre. Além do título, a única exigência é que o texto traga uma das expressões restantes (dos colegas) em seu corpo.

A lista de expressões doidas que saiu do trabalho é a seguinte:
- O sonobóia
- A sânie se espalhou pela água-forte
- Meu orifício está sentado ao meu lado
- O prognóstico deu cinco miosótis para o alvará finalizar a proveta
- Pouseiro era o assassino?
- Personalista de um sonífero
- O chiquê que liberava tal music-hall e também a gota da balada
- De repente o gato-no-mato-grande chega a CPD
- Que cântico! Vou tomar um solanco na pramana

Obs.: Rafael, depois de duas horas o cérebro engrenou e engatou a primeira. Não era ROMA, evidentemente, o palíndromo, e sim, a frase ROMA ME TEM AMOR OU ROMA É AMOR.
Por curiosidade, outras frases que são exemplo de palíndromo:
Até o poder do povo é ovo podre do poeta
Erro comum ocorre.
E até o Papa poeta é.

Para quem se interessar, o site oficial do Oulipo (em francês) é www.oulipo.net.
No link contraintes, estão as "regras" criadas pelo grupo para escrever. Na lista à direita, no S, procurem S+7 e cliquem.

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Oficina literária no set

Rafael Achutti, aluno desta disciplina do semestre passado, dá a dica:
O Set Universitário da Famecos vai ter uma oficina de jornalismo literário.
No programa, jornalismo literário, novo jornalismo e jornalismo gonzo, mais reportagem, perfil, livro-reportagem, autores e obras.
O ministrante é o professor da Famecos e jornalista Vitor Necchi.

Dia: 19 de setembro, das 14h às 17h, 40 vagas.

Acessem http://www.pucrs.br/famecos/set/programacao.htm?param=2.

Obrigada pela dica, Rafael.

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Sugestões

Andreza e Luciane mandam algumas sugestões bem legais relacionadas à aula de hoje.

A Andreza achou um conto no site dominiopublico.org, com obras disponíveis para download gratuito, "O Gato Preto", do Edgar Allan Poe. Noutro site, ela encontrou a transcrição do conto que comentei, "O homem na multidão". Confiram: http://www.gargantadaserpente.com/coral/contos/apoe_homem.shtml

A Luciane manda links com fotos e informações sobre o caso retratado no A Sangue Frio:
http://www.charliemanson.com/crime/clutter/
http://www.charliemanson.com/crime/clutter/clutter_photos.htm
http://www2.ljworld.com/photos/galleries/2005/apr/03/in_cold_blood_a_legacy_in_photos/=)

Para aula do dia 11/09

A proposta para o dia 11 é narrar uma multidão ou aglomeração de pessoas, tentando construir um caráter para este conjunto de pessoas, a exemplo do trecho lido de A Sangue Frio.
Usei o verbo narrar e não descrever de propósito; narrar presupõe uma seqüência de ações, ao contrário da descrição. Ou seja: minha proposta é que vocês descrevam uma multidão com algum movimento ou ação e não algo estático.

Deixei no xerox mais um trecho do livro, aliás o último que leremos da obra (p. 105 a 112).

Faremos um exercício especial na próxima aula e para isto, peço que todos tragam UM DICIONÁRIO.